
Já definimos em outro post os requisitos básicos para que um empreendimento possa ser considerado sustentável: é preciso que ele seja ecologicamente adequado, economicamente viável e socialmente justo.
Para que o projeto de paisagismo de um empreendimento seja considerado sustentável ele deve ser criado e implantado com técnicas e procedimentos destinados a melhorar a qualidade de vida dos seus usuários e das comunidades com que se relaciona; promover a biodiversidade; minimizar o consumo de energia e contribuir para a conservação dos recursos naturais, com foco na redução dos impactos ambientais. Deve proporcionar o bem estar físico e psicológico das pessoas que estarão em contato com aquele jardim, proteger e conservar os recursos naturais reduzindo o impacto ambiental do empreendimento e os custos de sua manutenção.
Mas vamos falar de uma forma mais prática sobre como podemos ter um jardim sustentável. Para isto vamos exemplificar através de cinco elementos que podem compor um projeto de paisagismo.
1. Vamos começar pelos elementos em madeira, como por exemplo, decks, pérgulas, painéis e caminhos.
Se formos utilizar a madeira natural para estes elementos, é imprescindível que ela seja certificada, pois só assim temos a certeza da sua procedência e que ela não é proveniente de extrativismo criminoso. Através da certificação temos a garantia também de que foram respeitadas as leis trabalhistas para o seu manejo.
Já existem no mercado várias marcas da chamada “madeira sustentável” para decks e painéis. Fabricados a partir de sobras de madeira e resíduos de plástico tornam-se muito práticos devido à não necessidade de manutenção.
Uma terceira opção é o uso de madeira de demolição, tanto para decks, como para pérgulas, painéis e cachepots, com resultados muito interessantes. Nesta linha entram também as cruzetas e os dormentes, com diversas possibilidades de uso.
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| Deck em Jardim Residencial: projeto A Prima Plantarum. |
2. O uso da água no jardim é um dos itens mais importantes no paisagismo sustentável.
A especificação de plantas nativas, sempre que possível, é uma garantia de que as espécies ornamentais utilizadas estão adaptadas ao clima local. Quando espécies exóticas, não invasoras, são utilizadas, estas devem ter uma baixa necessidade hídrica para que não requeiram grandes quantidades de água para a irrigação.
O sistema de irrigação automatizado, embora requeira um valor de investimento um pouco elevado para sua implantação, torna-se muito interessante não só pela comodidade que proporciona, mas também por economizar água, uma vez que as regas são feitas por breves períodos e são distribuídas com uniformidade por todo o jardim. Vale lembrar que o sistema de irrigação automatizado para ser considerado sustentável deve ser feito com a utilização de água captada das chuvas.
3. Recomposição da avifauna e microfauna dos meios urbanos.
O uso de espécies nativas e principalmente de frutíferas no jardim atrai várias espécies de pássaros, que tinham praticamente desaparecido dos centros urbanos. Flores coloridas são as preferidas dos beija-flores e entre as borboletas, a espécie nativa arbustiva Lantana camara é uma das preferidas.
Não podemos esquecer também dos insetos polinizadores como as abelhas e outros tipos de insetos que equilibram o meio ambiente urbano.
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| Biofauna: pássaro em uma Callicarpa reevesii |
4. Biodiversidade
A simples presença de espécies vegetais em um jardim já é suficiente para promover interações entre as espécies animais e vegetais. Quando o jardim é composto de várias espécies nativas esta interação torna-se enriquecedora do ponto de vista da preservação da biodiversidade nativa.
Importante salientar que um jardim não se faz com algumas poucas espécies que são repetidas incansavelmente por pessoas que não possuem conhecimento de plantas suficientes para especificar espécies nativas ou exóticas não invasoras adaptadas ao bioma local.
5.Consumo de energia | Telhados Verdes
Uma solução amplamente usada na Europa, Ásia e nos países da América do Norte, os telhados verdes trazem muitos benefícios para as grandes cidades. Além de aumentarem a área de permeabilidade das construções, diminuindo os problemas com as enchentes nas grandes cidades, os telhados verdes são responsáveis pela diminuição do uso dos aparelhos de ar condicionado, já que chegam a diminuir em até 13°C a temperatura na laje onde é instalado.
Os telhados verdes também possibilitam transformar um simples telhado em uma recomposição de mata nativa, com espécies da mata atlântica, por exemplo, ou mesmo criar-se uma horta comunitária em tetos de galpões ou mesmo de shoppings centers.
Como podemos observar há formas muito simples de aproximar de nós o tema sustentabilidade. No entanto para que esta aproximação aconteça são necessários conhecimentos específicos. Desta forma podemos afirmar, com certeza, que falar em sustentabilidade sem falar em jardins é uma missão praticamente impossível.

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